sexta-feira, 17 de setembro de 2010

As grifes de Dona Lourdes

Minha mãe sempre foi muito fiel as lojas de roupa... não sei se todas as mães de antigamente eram assim.
Desde que a família mudou-se para o bairro, em 1961, minha mãe caiu nas graças de uma loja "Dona Isaura" que naquela época, ainda era uma pequena banca de roupas na feira, que com o tempo cresceu.  Era quase como uma religião ver minha mãe com sacolas dessa mesmas lojas, tanto na época de natal ou em aniversários. Eu e meus irmão as vezes ganhávamos roupas muito parecidas.
Teve uma época que trabalhávamos juntos, veja como isso pode ser complicado.
Ganhamos camisas pólo lindas, mas iguaizinhas, um arrobo de loucura de dona Lourdes, tínhamos o cuidado de não irmos com a mesma, mas como conseguir essa proeza, se não morávamos na mesma casa?
Sempre que pegava a camiseta pensava, hoje não vou, vai que um deles aparece com essa camiseta, eu sei que eles nem ai com esse pensamento, eles são desligados para esse tipo de coisa, eu que me matava pensando nisso. Passava 2ªfeira, ninguém aparecia, passava 3ª,4ª e nada, ai chegava 5ªfeira, eu colocava a camisa desencanado, achando que conseguiria um momento de exclusividade e Tchan! la estava os bambinos de dona Lourdes todos vestidos iguais feitos trigemeos!
Quando eu era pequerrucho minha mãe também era freguesa de uma senhorinha que vendia roupas de linha que eram chics, pois minhas roupas eram cobiçadas por todas as mães do pedaço. A Mulher vendia em sua própria casa, era a dona Phina, Roupas Finas! Uma das vezes minha mãe comprou um conjuntinho très chic para seu filho caçula (eu!) para visitar minha vós paterna, minha mãe adorava fazer isso, me colocava feito um príncipe aos sábados para visitar minha avó Ana, assim dava um pouco de dor de cotovelo as minhas tias do outro lado, pura intriga de cunhadas. Na volta me soltou na rua, só que minha rua estava em obras, estava sendo asfaltada, nem preciso dizer que o príncipe aqui quem vos fala, resolveu brincar de peão de obras e se empinou inteiro.
Quando minha mãe viu, teve um troço, pois pixe em roupa de linha não existe remédio, se bem que pixe em roupa nenhuma tem remédio e aos berros começou a me chamar e pela única vez me bateu na rua ( minha mãe nunca foi de bater em público (claro que dentro de casa era outros quinhentos),  me tirou a roupa e me colocou dentro do tanque de molho, digo de castigo. Para piorar tudo, chamou uma prima minha, que eu pouco a via e eu morria de vergonha, pra tomar conta de mim.
Tenho certeza que aprendi a lição, nunca mais brinquei com roupa nova no pixe, ta certo que só asfaltaram aquela vez.
Mas até hoje minha mãe é cliente da Dona Isaura, alias da filha da dona Isaura.. fiel sempre.... tenho muitas roupas dessa loja. Minha mãe aprendeu a pelo menos comprar as roupas de cores diferentes e as vezes não tem jeito, aparecemos todos com camisetas iguais, mais cada um com uma cor diferente, só que agora em vez de 3, somos 7, vestindo ton sur ton. Essa é a Dona Lourdes


Como se fossemos trigemeos



















Dona Phina , Roupas Finas
Eu já era Top Model da Grife


15 comentários:

Edu disse...

Que bonitinhos os gorduchinhos todos iguais!!

Tati disse...

Ai David, muito boa essa história...
eu fico imaginando vcs três iguais..ahahah
Já te contei a história das camisetas que minha vó fazia né? rsrs
Beijokas
Tati

Heloisa Pinhatelli da Silva disse...

Mas que belezinha.
Nenê foi bincar no pixe foi?
É por isso que toda mãe merece ir pro céu.

Aline Camargo disse...

Davisssss!

Vi o selo por aqui, mas que máximo!!!

Ai, meu Deus... adoro suas histórias. São uma delícia de ler!

Da vontade de sair apertando as bochechas de todo mundo da sua família!!!

Bjo imenso!

Renato Orlandi disse...

HAUshuahsu... coisas de mãe com ctzaa, ainda bem que isso não acontece aqui em casa, tem um menino e uma menina só rsrs... Eu acho ahusahushua... MTo fofoooo de bb! O.O Bjuu!

Elaine Castro. disse...

Oi,
Mãe sempre nos rende ótimas histórias. Você fica contando tudo para nós, e fan-nos sentir como um amigo íntimo, como se estivéssemos presentes em cada etapa da sua vida, isso é muito legal.
Beijocas.

Mila disse...

Minha mãe fazia o mesmo comigo, mas como minha irmã é bem mais velha (10 anos) as roupas eram iguais a da minha prima. Andávamos sempre juntas com roupas iguais (até com mesma estampa!)só de cores diferentes. Tivemos um vestido caipira estampado assim que ela comprou enoooorme, então durou uns 4 anos. Quando o meu finalmente não dava mais em mim, acabei herdando o da minha prima pra usar mais uns anos! rsrs
Bom final de semana!

Aline Camargo disse...

Nossa, concordo 100% com a Elaine!!!

Andréa Mota disse...

não é preciso nem ser fregues pra sair igualzinho... só ter um dino ou baby com um óculos da mônica igual para considerar sua infância um marco das insanidades maternais..

eu fui uma vítima da fotocópia gracinha.. não sei se tenho traumas..

rsrs


legal a história..

lahti shirley disse...

adorooo ler suas historias David! as vezes parece que é uma historia que vc criou!! hahahahha

e vc era um buxexudo fofo!! hahahahhahah

bjs

Bruno Dezinho disse...

A minha mãe tinah também essas lojas em que comprava sempre,e vestia a família inteira. Lendo seu texto me enxerguei nele também.

Valdeir Almeida disse...

Olá, David.

Quando somos crianças, passamos por situações assim, né?

Interessante é que você, mesmo criança, não gostava de vestir-se igual aos seus irmãos. Auto-estima elevada.

David, obrigado pelo comentário em meu blog.

Abração e ótima semana.

Zú Leide disse...

David acho que as mães eram assim mesmo, vestiam os filhos igual... eu e minha irmã sempre vestimos igual , minha mãe só mudava a cor, todo mundo perguntava se eramos gemeas, isso até uns 12 anos, pode?

Meias de Seda (Suzy) disse...

Menino, me acabando de rir aqui...rs Dona Phina, Roupas Finas é chique no úrtimo...rs
E que bebê fofo você era...lindo!

les_insone disse...

Nossa. adorei essa história.
Mamãe tb sempre fazia isso comigo e mh irmã, só que eu ía puta, com alma de sapatão encubada com um LINDO vestidinho de poá lilás.

adoro seu Blog David, não me canso de ler.