terça-feira, 27 de julho de 2010

La ra ri, la ra rá! ou, Os Rouxinóis de casa

Aos domingos a tarde era uma tradição das minhas tias se reunirem na casa dos meus avós para jogarem carta.
Era diversão certa, íamos todos os primos, não que morássemos a mais de 300 metros da casa dos meus avós,mas sempre era bom ter motivos de estarmos juntos e quando sobrava uma vaguinha, jogávamos também!
Quando o quorum era pequeno jogava-se Buraco, mas quando passava de 4 pessoas, que era o normal, jogava-se um jogo, que estranhamente era só conhecido na minha família, o nome é Olêpe ( ou Olépe dependendo de que parente pronunciava) uma espécie de Pocker espanhol, mas enfim era divertidíssimo!
Meu avô caprichosamente cortara fichas miúdas de borracha que usávamos para apostas e os valores eram exorbitantes algo como 1 centavo de hoje, mais para dar valor as borrachas do que pra enriquecer algum feliz ganhador.
O maior problema de tudo não era as fichas, não era as crianças e nem alguém roubando o jogo, o problema era o coral de rouxinóis repentista! Gente só vendo, ou melhor, só ouvindo para acreditar... cada vez que alguém proferia uma palavra e essa palavra lembrasse algum trecho de música, como por encanto, minhas tias ao mesmo tempo, como se tivessem ensaiado a semana toda, começavam a cantar, e as vezes era uma musica atrás da outra, meu avô que usava um óculos fundo de garrafa que deixava os olhos pequeninos, arregalava os olhos enjetados como se fosse explodir e já proferia uma meia dúzia de bons palavrões espanhóis. Mesmo nós perdíamos a paciência com tanta cantoria. E elas se empolgavam, as vezes levantavam e começavam até a dançar, tenho certeza que quando a minha prima Patrícia ( a da cachaça do Pé de valsa) ler isso vai falar: é minha mãe que fazia isso!!!
Interessante que muita das músicas cantadas por esses rouxinóis familiares, me vem na cabeça sempre, guardo isso como uma memória musical de um tempo tão divertido, onde tinha meus avós e tios por perto. Cheiros e músicas são gatilhos de nossas memórias boas ou até mesmo ruins.


Minhas tias,tios, minha mãe, eu e a Zuleika ( a da Araruta filha da tia )
muitos anos depois das tardes de cantoria
 
Meus avós... Meu avô com suas duas tvs de 29 polegadas como óculos
 e minha ávó sortuda que desligava o aparelho de surdez e não ouvia a cantoria.



6 comentários:

DO disse...

Bons tempos,DAVID.Legal vc reviver estas histórias com tantos detalhes que marcam mesmo.

Abração!

Tati disse...

Ai que legal...adorei....
Adoro rouxinól!!!
Beijokas

Bruno Dezinho disse...

tão gostoso reviver as memórias da infância. Eu voo longe com as minhasa também. Lindo texto, nostálgico, emotivo... emana sentimentos.

Simplesmente disse...

...não tem como comentar sobre essas cantorias pq o comentário da foto dos seus avós foi melhor do q qq rouxinol...kkkkkkkkk
já disse, vc está na profissão errada.. deveria ser comediante!!!
amo!

fabers disse...

"Cheiros e músicas são gatilhos de nossas memórias boas ou até mesmo ruins." FATO!!!!!

amei a foto dos seus avós!!!

Anônimo disse...

Meu querido, elas são assim até hj!! O problema é a imaginação....a ultima que presenciei foi no cartório na Zona leste, este ano, que uma contava uma história , a outra provavelmente viajava naquilo e criava mais um trecho e foi assim váaaarias vezes, ou seja, apesar das gafes, elas são muito criativas e animadas , ahhhh, isso são!!!alguns da famíla herdarão tais caracteristicas, sabe -se lá quem, heheheheh! besotes!