segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Como assim, ta vivo?

Decididamente eu não era o garotinho que passava o dia na rua jogando bola, empinando pipa ou jogando taco, fazia tudo isso homeopaticamente, acho que homeopaticamente demais, pois minha mãe se irritava demais em me ver tanto dentro de casa.
Uma que eu era um ser arteiro, eu colocava fogo nas coisas, pegava tesoura e picava a cortina, recortava foto de casamento, desenhava nas paredes e isso vamos concordar, deixava minha mãe louca, ela criava lendas urbanas a torta e direita, bem do tipo: se cortar papel dentro de casa, morre a mãe. Se abrir o guarda chuva dentro de casa, morre a mãe. Se andar em cima da mesa, morre a mãe (nota-se que tudo morre a mãe, algo próximo a chantagem de uma mãe judia).
No inicio de 1973, estava então com 8 para 9 anos, eram minhas férias, minha mãe, com o saco cheio de policiar a casa, pede para eu andar de bicicleta, uma das coisas que eu gostava de fazer muito (meia hora).
Sai lindo, com minha bicicleta Tigrão da Monark, mal dei uma volta e já colidi com um outro garoto. Cai em cima da bicicleta Caloi do menino e naquela época, era comum tirarmos a proteção plástica da alavanca do breque, que no caso da Caloi era um absurdo pois era quase uma faca. A então quase faca entrou feito faca ( adoro essas frases non senses) no meu pescoço bem onde estaria a jugular. Começou a jorrar sangue e eu fiquei preso no guidão da bicicleta. O garoto viu a cena do sangue e já saiu correndo, medo que a policia viesse e fosse prende-lo.
Todo esse acidente foi em frente a minha a casa, onde minha mãe estava regando o jardim, nem preciso dizer que Dona Lourdes quase pulou o muro da casa pra me socorrer.
Eu sangrava muito, minha mãe pegou uma toalha e foi atrás de um salvamento.
Naquela época não tinha esse negocio de resgate, só restava apelar para vizinhos ou quem tivesse um carro disponível. Acabei indo para o pronto socorro em um Ford 1939, parecia carro de Gangster Nova Iorquino.
Entrei no pronto-socorro pela porta da frente feito artista, já que meu problema aparentemente era grave, alguns meses antes do meu acidente um garoto havia morrido com o mesmo breque de bicicleta enfiado no pescoço.(Abrinq não deveria existir ou ninguém se importava).
Fui cuidado, e não foi detectado hemorragia nenhuma, ficaria de observação em casa.
Nesse interim meu pai já estava por lá, teríamos que ir em um cardiologista (não fazia ideia o por quê). Mas já era noite e fomos atrás de algum que ainda estivesse em seu consultório. Por ironia fomos parar em um tal doutor Oswaldo Cruz (olha lá... sou velho, mas esse Oswaldo Cruz não é aquele Sanitarista do inicio do século).
Enfim, cheguei em casa por volta das 21 horas e minha casa estava lotada de gente esperando o corpo, pois todo mundo achava que teria um velório.
Droga! o defunto veio andando!!!
Meses antes do acidente
Minha ambulância de Gângster


Claaaro que eu ira por uma montagenzinha!

12 comentários:

Edu disse...

Que bom que o defunto veio andando! Porque ele se tornou um homão lindo e cheio de histórias deliciosas!

Paulo Braccini disse...

Adoro suas reminiscências ... enfim ... adoro tudo qto é reminiscência ... q bom qdo temos história pra contar ...

bjux

;-)

Moro em um Kinder Ovo disse...

Como é que eu fico?? Não é história para rir - imagino o susto da sua mãe e o seu também - mas não dá para resistir!!!

Paulo Rideaki disse...

Tirando o drama da alavanca do breque "assassino" que quase ceifou a tua vida.
Do drama quase que cinematografico onde a Dona Lourdes pula do muro em desespero, foi muito bom neh?!?!?!
Se hoje você é uma pessoa maravilhosa, é porque teve verdadeiramente uma infância!
Feliz do homem que tem uma memória,ainda que dramática uma recordação de sua infância!
Por isto vamos alertar a humanidade, DEIXEM AS CRIANÇAS BRINCAREM!
Ótima postagem, adorei!

Palavras Vagabundas disse...

David,
você tem a tendência para um drama-satirico que muito me diverte!
Adorei o acidente de bicicleta.
bjs
Jussara

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

ahahaha
eu adoro seus posts, as montagens e o humor mesmo nos momentos mais complicados.

ainda bem que vc está ai, forte e feliz, faltam-lhe ainda seis vidas.

boa semana!

Inaie disse...

Adorei a historia!!!

E a Dona Lurdes ate hoje nao se perdoa de ter te mandado pra rua, andar de bicicleta.

Elaine Castro. disse...

É David, você era um menino bem arteiro, em compensação, sua mãe deve ter se arrependido de pedir para você "dar umas voltas de bicicleta", rsrrsrsrsrrsrr.
Abraços.

Eu sou a Ingrid, disse...

Eu a centésima, afirmo que realmente é decepcionante qdo todos esperamos um velório e o cara chega andando. No seu caso, especialmente pra vc e Dona Lourdes um alívio, mas para a vizinhança que já tava toda lá construindo histórias sobre o pobre garoto morto por um freio de bike ah! Deve ter sido broxante te ver tão vivo! Rsrsrs

Desculpe por um primeiro comentário, tão mórbido!
Brincadeiras à parte adorei teu blog!

Aline Calamara disse...

Eu adorei a história. Seu blog é leve e muito divertido. Por isso adoro fazer visitas ao seu cantinho.

OBS: Tem um desafio para você no meu bog. Indiquei 7 pessoas e você é uma delas.
Bjs
Aline Calamara
http://prosadejanela.blogspot.com

Filhão disse...

Eita! Já estive perto da morte, só que nem tanto! Eu entraria em pânico. Graças a Deus você está vivo e nos divertindo com suas histórias. Hahaha
Abraços meu querido!

Heloisa Pinhatelli da Silva disse...

Ri pra garai dessa história. Fico imaginando o Davizinho entrando dramaticamente no hospital. Mas aí, quantos pontos deu? Ou foi só um raladinho potencializado por uma mãe desesperada e um filho artista? Aposto que vc ficou de cama um mês comendo todas as guloseimas que dona Lourdes faz (é Lourdes né?).