quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Visão telescópica

Beth era minha amiga do segundo grau, era uma japonesa ('era' é uma força de expressão, por que ela continua sendo uma japonesa) muito engraçada. Logo que a vi, já peguei simpatia por uma japonesinha com um metro e meio que se abaixava para olhar a bunda das pessoas que passavam por ela. Não vou mentir que isso me causou estranheza e graça.
Beth sofria de astigmatismo em alto grau e usava lentes de contatos acrílicas, usava? não, não usava, seus pais achavam que ela usava. Mas seus pais lhe deram o primeiro par de lentes e logo na primeira semana Beth foi fazer a assepsia de suas lentes e perdeu uma dentro do ralo da pia do banheiro, sua mãe meio que a contra gosto lhe deu mais um par de lentes e lhe recomendou para tomar mais cuidado. Beth após uma semana foi na pia dar sua lavadinha na lente eee... perdeu mais uma vez a lente. Sua mãe emputecida, comprou mais um par de lentes e lhe disse: -Este é o ultimo par que te compro!!! Tome cuidado!  Claro que Beth tomou todo o cuidado do mundo, 3 semanas depois perdeu as lentes no mesmo ralo. Só que desta vez fingiu que não havia perdido e todo dia dava uma esfregadinha nos olhos para parecer que havia posto as lentes. Morria de medo de pedir outro par de lentes para os pais, pois os pais eram de cumprir palavra, já que uma vez prometeram a ela que se repetisse de ano iria estudar um ano em um colégio interno e cumpriram, quem vai ser besta de falar que perdeu as lentes de novo?
Todo dia ia para escola e não enxergava nada, levava escondido um par de óculos horrorosos que não sei de quem era, mas que ela só colocava para ver o nome do ónibus e guardava na bolsa.
Beth era uma adolescente fanática por marcas de roupa, e nos inícios dos anos 80 as marcas de jeans mais  bam bam bam eram Fiorucci, Lee, Levis e não lembro mais o que, Beth olhava pra todo mundo e classificava o povo da escola pelo jeans que usavam. Pense numa japonesa de um metro e meio que não enxerga nada e com mania de olhar marcas de calças dos outros? Esta explicado.. ela vivia acompanhando as pessoas andando na rua e se abaixava pra até a altura da bunda e olhava.
Sair com a Beth era muito engraçado, por que ela era desligada para muitas coisa, tínhamos aula o dia inteiro, entravamos as 7:30 e saímos as 15:30. Quando tínhamos aula de laboratório de Química Inorgânica adorávamos 'cabular' (deve ter um termo mais moderno) aula e íamos ao cinema mais próximo da escola, era um cinema que já estava em vias de decadência, as vezes passava aquelas pornochanchadas a beira de pornografias e lá estávamos nós, não sei como entravamos no cinema sendo menores de idade, mas o mais engraçado era sentarmos na primeira fileira, pois Beth não enxergava muito bem os detalhes ou as legendas quando tinha. Imagina garotos assistindo filmes de conteúdo adulto na primeira fila do cinema dando gargalhada? éramos nós!
Uma vez fomos ao Shopping e antes de irmos coloquei no cabelo dela uma pena de galinha de angola ela falou um monte pediu pra tirar que era ridículo e tal, eu a distrai conversando de outras coisas até ela esquecer e fomos para o Shopping, ela toda arrumada com suas roupas de grife e uma pena de galinha de angola na cabeça, até ela entrar no banheiro e se olhar de perto (creio que de muito perto) no espelho, ouvi o grito dela de dentro do banheiro me xingando!
Ou então o cumulo da distração e olhar para uma vitrine de uma loja de artigos de laboratório, achando que estava olhando para um espelho e se depara com um esqueleto e sair correndo para o meio da rua gritando assustada!

Por muitos anos, nos encontramos todos os finais de ano, mas de uns 15 anos para cá, não temos nos visto pessoalmente, nos reencontramos virtualmente e por telefone (3 horas no telefone) a um ano atrás, incrível como nossa amizade continua, achei que poderia ter mudado, mas não, demos gargalhadas falamos as mesmas besteiras como se tivéssemos 17 anos! Acho que neste fim de ano nos veremos!

Beth sempre sem seus óculos e sem lentes olhava para direção
certa pelo som da maquina fotográfica

Se ela ver essa montagem ela não vai querer
me ver nunca mais!

19 comentários:

Fernanda Reali disse...

Ahahaha, isso daria um episódio do Retrato Falado com a Denise Fraga, lembras? Em vez de viver comprando lentes, essa família deveria ter comprado um ralinho - japonês, de telinha - hehe.

david era uma vez... disse...

hahhahahah rachei de rir Fê!!

Mas quantas historias se perderiam por causa de um ralinho?

Lola disse...

hahahahaha

Mano, me lembrou duma prima minha que, quando usou óculos pela primeira vez, finalmente, dava gargalhadas por conseguir ver as bolas estampadas num vestido dela: "Ele (o vestido) sempre teve bolinhas mãe? hahahahahaha"

Bjs

Aline Castilho R. disse...

Eu te vi no blog da Phinérrima fiquei curiosa pra conhecer um blog masculino, e achei ótimoi, adorei a história da japinha, adorei as receitas e as fotos de familia!! Mto bem humorado seus posts!!

bjs

Aline Castilho R. disse...

David, eu te adorei, acabei de ler o seu comentário e achei o máximo "coisa de menino", aqueles coturnos são difíceis de ser usados mesmo...concordo com vc!!! Vou estar sempre aqui..adorei!

bjs

Lili disse...

Vi atraves de nossa promoter Fernanda seu blog e achei o máximo a forma como vc escreve...parabens um grande abraço!

Sandra disse...

David e suas sempre hilárias histórias... eu me divirto.
Sobre a árvore, David, no ano retrasado fiz uma árvore de papel machê de 1m de altura, mais ou menos. Ficou muito bacana, e nós decoramos com primeiras meias do Lucas (ele estava fazendo 1 ano).
O problema é que uma árvore de natal comum já é um pequeno trombolho fora de dezembro, imagina uma de papel machê?? Eu acabei colocando-a na calçada de casa e alguém levou embora :)

Não me lembro se a fotografei (!) fds eu vejo, se encontrar, posto no blog e te aviso.

Abraço.

Aline Camargo disse...

Huahuhauah! Vc era espuleta mesmo (era aqui tb é uma força de expressão). Pena de galinha d'angola!!! Hahahah!!!!

Suas histórias são muito divertidas... menino, que inveja dessa sua memória... putaqueo!

Tadinha da Japinha... e que pais cruéis, os Japoneses são mesmo linha dura, pai do céu.

Jacqueline Lima disse...

Rapaz, tu tens é história... Mas pode contar todas: eu a-do-ro!
Beijitos

Wans disse...

Adorei como vc escreveu a história de vcs dois. Lembrou-me um conto.

bjo

Gilson disse...

David

Como é bom ainda ter os amigos de infãncia, se encontrar novamente e perceber que ainda somos os mesmos, só que agora adotamos posturas politicamente corretas, deixando de lado aquela parte de nós que ainda ri muito das besteiras.

Abs

fabers disse...

tadinha!!!
horrível não enxerguar!

volta logo!

Elaine Castro. disse...

Oi David,
Estou indicando você e o seu blog para receber o Prêmio Dardos! Vim convidá-la para retirar no Visões de Um Ser... se você gostou de receber o selo ele estará a sua disposição lá no meu espaço, com muito carinho...
Abração.

Paulo Braccini disse...

ops ... e não é q finalmente eu tb cheguei aqui? rs

David! Esta sua amiga é genial mesmo ... adorável ... o carinho q vc a descreve em palavras neste post é simplesmente fantástico ... só mesmo uma pessoa super especial pode despertar e manter por tanto tempo uma amizade assim ...

bjão

;-)

Ronda disse...

Oi David,
Os amigos mais engraçados aparecem na escola mesmo. Depois de alguns anos todo mundo fica um pouco mais sério, acho que é o peso das responsabilidades.
Abraços!!

J Araújo disse...

David, o conto, ou relato aí é muito engraçado. |Gostei!

abraço

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

ahahahaha que figuraça! rachei com esse post.
pior q eu tenho uma prima que viveu coisa parecida... o apelido dela é cegueta até hj, mesmo depois da operação que ela fez (e enxerga bem melhor)
era só mico que ela pagava por não querer usar óculos ou perder lentes hahaha
abraços

Sandra disse...

David, disse que te avisaria qdo mostrasse minha árvore de natal lá no blog. Dá uma olhada. Não se sinta obrigado a elogiar ou dizer que vai fazer, tá bom? :D

Kelly disse...

Amigos inesquecíveis são assim, marcam com seus detalhes, beijos