quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Como era doce minha professora de francês

Em 1975, quando entrei da quinta serie, foi  a época em que o ensino estava mudando, foi o ultimo ano que se administrou o ensino do francês nas escolas públicas. Eu tive o privilégio de ter aula de francês, mas ao mesmo tempo tive a tristeza de ter aula com uma professora que exercia o Bulling com uma eficácia fantástica. Para alguns, a Professora Szchendla, uma Iugoslava ( professora de francês?), era a melhor professora do mundo, mas para outros, COMO EU, era a demônia em pessoa. Ela chamava todos pelo nome, a mim, ela me chamava pelo meu numero de chamada, que era 24, ou seja, ela fazia questão de me ridicularizar, me chamando pelo numero 24, eu coitado, na época, mal abria a boca, e com aquela mulher que gostava de ridicularizar qualquer um, eu era uma estátua. Dona Szchendla, era uma belezura, se vestia com endumentárias exóticas, vivia com um conjunto de jeans cheios de rebites prateados e um par de óculos que parecia a mulher mosca, uns cabelos soltos híbridos entre hippies e Farrah Fawcett marrons avermelhados. Com uma figura dessas, é claro que eu ia de mal a pior na sua matéria. No primeiro bimestre, não sei como, vim com 4 e meio, já no segundo, eu vim com 1. Ela ficava satisfeitíssima com isso e mais ainda tirava com minha cara e mais fazia piadinhas com o 24.
Minha mãe quando viu que as notas do seu filho caçula iam de mal a pior, resolveu mandar me para uma professora particular.
David o numero 24, começou a estudar fora da escola, e começou a aprender francês como se deveria e o numero 24 começou a pegar gosto pelo francês ( o idioma, ok?).
Passou-se o tempo, Dona Szchendla deu matéria nova, ensinou seus rebentos a forma interrogativa, explicou muito por cima e perguntou desafiadoramente se alguém se arriscaria a passar as frases que estavam na lousa para a forma interrogativa. O numero 24 (EU EU EU EU ) levantou timidamente o braço e disse que iria, a mulher arregalou os olhos, não acreditando no que via e disse que se conseguisse ela daria 2 pontos a mais na média.
Fui na lousa e passei todas as frases para a forma interrogativa com a maestria de um acadêmico francês ( modéstia é uma coisa inerente a minha pessoa) a professora ficou abismada, mas não deixou de tirar uma com a minha cara  e fez a classe toda cantar em coro Aleluia ( de Handel). Com aquela cantoria alta a escola toda ouviu, minha prima que estudava na classe ao lado ouviu, professores incheridos vieram ver o que se passava na classe.  Na hora do recreio, eu era o assunto da escola. Vergonha por um mês, mas vim com 10 de média.
Passei de francês? sim, claro que passei! mas repeti em português. Trauma dessa louca!

Isso marcou tanto, que encontrei minha prima neste sábado e ela me indagou por que ainda não havia contado essa historia aqui.

Isto foi que os computadores do Era uma vez... 
conseguiram chegar mais perto
de como seria Dona Szchendla  

10 comentários:

Jôka P. disse...

Sempre fui 24 assumido na escola, desde garotinho. Nem precisei de uma professora escrota pra me denunciar. E os outros garotos, o o 22, o 23, o 25, o 26 e o 27 me a-do-ra-vam!

Aline Castilho R. disse...

Oi David, eu adorei o texto, ainda bem que sua prima se lembrou disso, foi muito legal ler porque todo mundo teve uma professora dessa na escola, sempre tem uma peste assim! Uma me apelidou de Araponga porque eu gritava muito, minha mãe foi lá na escola e armou um barraco, vergonha a parte, isso funcionou!!! hahaha

bjãooo

Diego Hatake disse...

Eu adoraria ter aprendido francês na escola... Música também, alguma arte em si... A educação do país precisa melhorar.

Lola disse...

Oi mano!

Taumas estudantis como esse são clássicos! Tenho vários para minha coleção! Tinha um professor gordo, patético, de matemática que gritava para eu sempre ser zoada na lousa: NÚMERO UUUUMMMM!!!! Era meu número na porra da chamada! Só fui aprender matemática depois de anos de terapia e dividas. kkkkkkkkkkkkkk
Sua professora de francês me deu medo.

Bjs

Paulo Braccini disse...

nunca passei por isto graças a Deus ... sofri um leve bulling por parte de coleguinhas mas nada q me gerasse traumas ... enfim ... a vida era um pouco menos complicada q hoje ... eu acho ...

bjux

;-)

Moro em um Kinder Ovo disse...

kkkkkkkk... sabe o que eu já descobri? Quando aprendemos a rir da gente mesmo descobre que não tem trauma que nos derrube!!!

Elaine Castro. disse...

Olá David,
É engraçado como ao longo de nossas vidas as pessoas nos marcam, sejam para o bem ou mal, isso devia nos fazer pensar muito bem o que dizemos ou fazemos ao próximo, porque dependedo do que for pode ser muito marcante e definir até o caráter de uma pessoa.
Adorei a história.
Beijos.

Lua Nova disse...

Affff... é o mapa do inferno essa criatura... além de ser muito má...
Uhhhhhhhhh, vaia pra ela. Como se faz isso com um adolescente tão fofinho como vc? Inaceitável...
ai ai, David, morri de rir pra NÃO variar.
Saudades de vc, mon petit chou... (rs)
Beijokas.

Renato Orlandi disse...

Eu tb já fui 24, mas ser bulinado pela propria mestra é dose heim ahsuhasuhau, imagino o que deve ter passado! aff aff! eu queria ter estudado frances, agora to hmto velho p aprender ahushasuhaushua! Bjuuu!

Palavras Vagabundas disse...

David, só tive péssimos professores de francês, peguei trauma da lingua cheguei a ficar reprovada por causa da danada dessa lingua. Acho que minhas professoras eram parentes da sua.
abs
Jussara