quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Com vocês o feliz ganhador do Salão do Automóveeeel!!

Em 1990, levei meu recem cunhado Marcos, (havia a pouco casado com a irmã da minha esposa na época) para conhecer o Salão do Automóvel, um evento para quem gosta, fantástico.
Naquele ano em especial, o salão estava alvoroçado, pois Collor havia acabado de liberar os carros importados, então as empresas estrangeiras caíram matando nos consumidores.
Chegamos ao anoitecer do ultimo dia da exposição, garoava infernalmente, pegamos uma fila enorme para estacionar o carro, toda aquela lenga-lenga rotineira (parece que minhas historias são ricas em lenga-lengas). Quando parei o carro, descobri que o vidro eletrico do passageiro quebrou, grande! a gente vai em um salão do automóvel e seu carro tem crise de ciumes! Garoa + vidro quebrado o que fazer? Uma hora de fila pra chegar onde cheguei, não pensei duas vezes, no porta mala do carro tinha um grande saco de flocos de espuma ( na época eu e meus irmão tínhamos fabrica de Colchão e espuma ) coloquei o saco no banco do carro e bloqueei a janela aberta com ele.
Dentro do Salão do Automóvel, os cenários dos estandes eram lindos, os carros maravilhosos e as modelos como sempre lindamente apelativas ao extremo, meu jovem cunhado estava alucinado com tantas novidades, e passamos a feira inteira, preenchendo cupons para sorteios de carros, viagens e não sei mais o que.
Ficamos até o fim da feira, voltamos empolgadíssimos com tanto carro importado, já que nas ruas ainda não víamos muitos, salvo os Ladas que foram os primeiros importados liberados.
Cheguei no carro o saco de flocos estava lá todo furado, algum engraçadinho achou que era brinde e deixou meu carro uma beleza, já que a garoa não parou e o flocos aderiu a tudo!
No dia seguinte eu estava no escritório tranquilo, quando surgiu uma ideia maligna. Liguei para minha cunhada, Jaciane a esposa do Marcos, que era a pessoa mais fácil no mundo para passar um trote, não deu outra, disse a ela que era da empresa que administrava o Salão do Automóvel e estava ligando para comunicar que o senhor Marcos de tal havia ganho um carro da Subaru e que ele teria que me ligar depois das 15 horas no telefone tal, passei para ela o telefone do fax da empresa, afinal ninguém da família tinha esse telefone, ela não desconfiou de nada.
Passou o tempo nem lembrava mais do ocorrido, fui almoçar,  voltei quando deu pontualmente, 15horas Marcus ligou, Já foi se apresentando dizendo quem era e eu não resisti e comecei a rir, quando ele reconheceu minha voz eu percebi na voz dele um fiozinho de choro. Ele me dizia: -David? Não acredito! e agora? Eu contei para todo mundo que eu conheço, que eu ganhei um carro, paguei almoço para o pessoal da firma pra comemorar! E VOCÊ atende o telefone? Eu vou matar a Jaciane!!! De novo ela caiu no seus Trotes??? Eu só dava risada Demorei muito pra conseguir falar alguma coisa pra ele. Claro que não pedi desculpas, eu também sou mau!
O duro que a Jaciane já tinha caído em um outro trote meu, a menos de 15 dias, onde eu fiz ela acreditar que eu era fiscal do INSS e que ela teria que pagar uma multa de 10 salários.
Jaciane e Marcos são meus ex-cunhados que nunca deixarei de considerá-los meus cunhados, pois eles são mais que simples nomeclaturas. Jaciane é filha da minha primeira Sogra que eu ja contei aqui
Marcos sonhando com o carrão

Casal curtindo o trote!


sábado, 30 de outubro de 2010

OOOO que onda, que festa de arromba!

Em Abril de 1977, meu irmão cacique Ubirajara casou, seu casamento ficou marcado para todo o sempre nos anais da historia da família..... Pode-se utilizar o termo anais nos dois sentidos se preferir....
Meus pais, a exemplo do casamento do meu irmão Joanes, que tinha sido um ano antes, fizeram uma imensa festa, um jantar para 600 pessoas no Clube Juventus, um dos clubes mais bem cotados da cidade, na época.
Meu pai que também era exagerado em tudo, não poupou nada, lembro de ver caminhões de frutas do Seasa parados por lá. Bebidas, claro, não poderia faltar, como poderia deixar de faltar? Tinha uma abundância de bebidas que já era um prenuncio de algo grande.
Vamos ao tal casamento.
Tudo correia na mais tranquila cadencia, aquela infinidade de gente, crianças pra cima e pra baixo, a banda tocando, todo mundo dançando, outros fazendo pose do lado dos noivos para foto.
Como toda festa, sempre forma as panelas, em um canto, os parentes da noiva, outro os amigos da faculdade, em outro os parentes do pai no noivo, do outro lado da mãe do noivo, vizinhos e assim por diante.
Teve a hora de alguém da faculdade pegou a gravata do noivo e começou com aquela história de cortar, passou por todo o salão. Só que esse alguém chegou de volta no grupo da faculdade já sem a gravata, e o pessoal de lá ficou bravo por não ter participado. Alguém ergueu os braços pra falar ( coisa de gente da Moóca) e pegou despercebido um garçom que passava com um monte de pratos e copos sujos. Claro, caiu tudo, literalmente, caiu tudo a festa toda caiu com essa bandeja.
Meu irmão mais velho, que já estava pra la de Bagdá, veio correndo achando que tinha briga. Os parentes dele ( entenda-se os parentes da mulher dele), quando viram ele correndo para o barulho foram acudi-lo, os parentes da minha mãe viram os parentes do meu irmão, acharam que iam bater nele e foram em cima e por vai. Era parente batendo em parente que não se conhecia.
Certo momento vi meu irmão correndo atrás de um cara, que logo reconheci como namorado de uma prima, meu irmão corria com 2 garrafas na mão, eu pulei de cavalinho no meu irmão feito peão, claro que nem durei os 8 segundos necessários para ser classificado para o rodeio, mas foram o suficiente para que o rapaz pulasse para dentro do bar do salão e em seguida visse meu irmão jogando as garrafas para dentro do bar quebrando tudo.
Teve um tio meu que achou graça em ver todos os instrumentos da banda, abandonados no palco, claro que os músicos fugiram... e resolveu quebrar a guitarra na cabeça do primeiro que passa-se e depois um tambor da bateria. Todo mundo perdeu a noção, claro que menos meus pais, os noivos, a mãe da noiva, minha cunhada mais velha e eu que estava chocado no canto.
Eu sei que em questão de segundos formou-se uma briga gigante, algo próximo entre uma briga de saloom do velho oeste com uma festa irlandesa.
Os amigos da faculdade do Bira, que foram o foco da bandeja caída, saíram correndo do lugar, acho que só pararam de correr quando amanheceu o dia.
Depois de tudo terminado, só sobrara meus pais e eu, meu pai correndo atrás do prejuizo que fora gigante, lembro que ele gastou o mesmo valor da festa com o prejuizo, minha mãe ja tinha passado a fase do choro e estava na fase de tentar desvendar os culpados de tudo. Nem preciso dizer que parte da culpa ela jogou no meu pai, dizendo que ele deu muita bebida pra todo mundo. Mas ao mesmo tempo ela estava aliviada, pois o pessoal mais chique da festa ja tinha saido quando começou o show.
Eu prometi que quando casasse, não teria festa, alias, deve ter sido a promessa de vários primos meus, pois demorou muito tempo pra que um de nós fizessemos festa de casamento.
Claro que a briga ao fundo é para efeito de ilustração...
vejam como eu estou novinho.
nós na frente estávamos de verdade no casamento

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Acampando no fim do mundo

Em 1978, alguém falou que ter uma barraca de camping era o suficiente para poder acampar. Meus tios resolveram levar a família em um passeio indígena e claro, eu fui de bico nesse passeio.
Era o feriado de 7 de setembro, o local escolhido era uma praia particular de propriedade de um vendedor da empresa dos meus tios, um judeu meio louco, pintor de quadros fantasmagóricos. Sabíamos (digo, eles sabiam, eu não sabia nada) que era entre Caraguatatuba e Ubatuba.
E levantamos acampamento as 6 horas da manhã, meus tios gostavam de viajar muito cedo, colocamos as 2 barracas nos carros, 2 barracas imensas que era do meu irmão mais velho. Meus tios, minhas tias, meus primos e mais alguns outros primos que foram de estepe como eu.
Saímos e logo de cara vimos o que não devíamos, um transito absurdo, como estávamos no tempo em que siri ainda andava de lado, nem sabíamos direito o porque da demora. Só sei que a viagem que estava planejada para demorar 3 horas demorou 12 horas. Soubemos no fim do percurso que uma ponte havia caído.
Enfim chegamos em algum lugar já em pleno anoitecer, nossa mapa rudimentar indicava que teríamos que atravessar a pé um braço de mar, ceeeerto, um braço de mar! Veja um braço de mar as 10 da manhã é xuxu beleza a maré ajuda a agua esta no tornozelo, mas um braço de mar as 18 horas, ele vira um braço de mar de um halterofilista, de um mister universo!! O tal braço de mar batia no nosso peito, minha tia Clarice que era uma exímia cagona de agua, tinha que carregar uma mala de panelas e mantimentos na cabeça com a agua batendo no seu pescoço, tinha meus primos de menor tamanho que não conseguiam atravessar o braço de mar, e claro tinha as imensas barracas para carregar. Depois de muito tempo e muitas equações conseguimos todos atravessar o braço de mar. Tem um detalhezinho, garoava, aquela garoa chata grudenta que quem conhece a região sabe, quando começa não para.
Próxima tarefa, ir pela picada até a tal praia particular e deserta. Essa tal picada era algo tenebrosa pois subíamos um morro e de um lado era uma mata fechada e do outro lado era um penhasco onde terminava o quebra mar, não era uma picada longa, tinha uns 400 metros, mas era uma aventura a parte, já que o chão estava molhado.
Chegamos a tal praia particular já noite, pouco enxergávamos, víamos uma casinha com luzes fracas que sabíamos ( meus tios sabiam, eu nem fazia ideia) era da mãe do dono. Agora era só montar as barracas.
-Yoda (o verdadeiro nome foi alterado porque meu tio achou um absurdo eu menciona-lo aqui) vamos montar as barracas? disse meu tio Maneco
-Eu não sei montar, você sabe? disse meu tio Yoda
-Eu também, não!
Pronto!! agora começou a nossa novela... já era noite, chovia, estávamos numa praia deserta, distante dos carros, com crianças e ninguém sabia montar as barracas!!!
Restou batermos na porta da casa da mãe de dono (o dono chamava-se Kallmann).
Dona Kallmann abriu uma fresta da porta e olhou pra todo aquele bando de gente com uma cara de assustar lobisomem e perguntou o que acontecia. Minhas tias tentaram explicar o que se passava e apelou para o lado maternal da velha. Dona Kallmann deixou meio que contra feita entrarmos em sua casa, mas antes soltou a seguinte frase: - A faxineira esteve hoje aqui!! seu sotaque era judeu/alemão/caiçara. Ela nos cedeu um quarto de 3x3 para ficarmos todos os 12. Tudo bem, era melhor isso do que ficar no relento!
Mais um pequeno detalhe, não existia energia eletrica, eu me pergunto, por que o senhor Kallmann deixava uma senhorinha morar naquele lugar sem energia eletrica, sem telefone e sem condições de como chegar rapidamente, ela deveria ser muito chata!
Para comermos tínhamos banana, que tínhamos comprado um cacho enorme, pão molhado de chuva e braço de mar e um bolo molhado de leite de coco, que era a coqueluche dos acepipes da época! Esse bolo foi o fator primordial do feriado.
Passamos a noite, de qualquer maneira e logo cedo despertamos para tentar montar a esfinge, digo as barracas, enquanto minhas tias faziam faxina na casa da velha Kallmann.
Olhando de dia e com um tempo melhorzinho a praia era maravilhosa, mas não era lugar para acampar, não teríamos banheiros e só teríamos uma torneira de agua doce.
Meus tios estavam a 2 horas tentando montar a barraca eu e meu primo saímos atrás de alguém que parecesse expert em barracas, vimos uns gringos que falavam nosso idioma e pedimos para eles, em menos de 5 minutos eles montaram as barracas e meus tios ficaram com cara de pirolito. Fácil, quando se sabe!
O nosso acampamento parecia que transcorreria tudo bem, tudo era muito primitivo, o velha olhava a gente da janela e cada vez que olhávamos para ela ela se escondia, medo que pedíssemos socorro novamente.
O tempo não ajudava em nada só garoava, no final da tarde, aquele bolo molhado de coco, começou a dar seus revertérios em todo mundo, menos em mim (milagres acontecem) todo mundo ficou com dor de barriga e se alguém lembrar, não havia banheiro no nosso paraíso!!!
Passamos uma noite deslumbrante! só sei que de manhã deu 'O' 5 minutos na minha tia e levantamos acampamento e fomos todos embora sem desmontar barraca sem nada! Ninguém contestou a ordem!  Restou a meus tios voltarem na semana seguinte pra desmontar as barracas e leva-las!!! Contam eles que  quando voltaram para buscar as barracas, o dia estava lindo e ensolarado.

É por essa experiência que nunca mais na minha vida fui acampar!


A travessia das minhas tias. elas me matam se virem isso!








Montando acampamento

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Senhor, que horas são? QUEEEEM?????

Não sei se é de minha geração, ou sou eu mesmo, mas tenho uma dificuldade enorme em ouvir essa frase. Me doí muito os ouvidos, quando alguém vem e diz qualquer coisa e completa com a palavra SENHOR.
Nunca reajo bem, geralmente olho para os lados e pergunto: -Onde? onde esta o velho? Sei que já estou na hora de aceitar essa condição, mas francamente enquanto der eu vou reclamar.
A palavra Tio, só engulo dos sobrinhos pequenos, os meus sobrinhos marmanjos VTC!! meu sobrinho mais novo tem 30 anos.. tem cabimento me chamar de tio e de senhor? oras  francamente, vai lustrar cágado!
Na noite....
Quando alguém vem com uma cantada, eu fico todo cheio, mas quando o fulano diz que se amarra em coroa, vá pro inferno! Já olho pro sujeito e digo: -Tem síndrome de rainha, é? tô fora! E saio de Egípcia!

Gosta de coroa?
Leva!!!
Eu compro outra!

Curtissimo

Devo dizer que os comentários daqui são muito mais engraçados do que meus posts, se um dia eu escrever um livro, terei que carregar os coments juntos.
Eu posso não retornar os comentários, mas tenham certeza, eu me defeco de rir!!!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Sitio de pica-pau de lero-lero

1976/77
Meu pai inaugurou a casa do sitio na mesma época em que na  TV Globo estreava o Sitio do Pica Pau Amarelo, claro que nossas primeiras férias foram com o tema do sitio.
Estavam todos meus primos por lá e deu pra montar um elenco igual ao seriado. Eu era um artista multi-midia ou melhor dizendo polivalente, já que era Escritor, adaptador, roteirista, cenografista, figurinista, diretor e narrador (tudo isso com 12 anos de idade, pena que desperdicei esse talento todo).
Peguei roupas velhas de minha mãe, tipo uma blusa de Ban-lon (minha mãe tinha um sarcófago de roupas dos anos 60) passei um arame que tinha sobrado da obra da casa na barra e pronto amarramos no meio e já serviu como vestido de Emília. Um pijama velho do meu avô, mais umas palhas de milho feito um colar, mais um chapéu feito com papelão e o Visconde tava pronto... uma fronha (existe nome mais feio que 'fronha'?) branca cortada e amarrada com  um fio grosso de cobre descascado imitando ouro e um arco e flecha feito também desse mesmo 'ouro', a fantasia de Cupido também estava pronta. Pedrinho e Narizinho foram fáceis.
Feito todo as fantasias, criei a história, dei os personagens e mandamos ver. Quando fazíamos essas encenações. Era mais engraçado os ensaios do que propriamente o dia da exibição. Combinamos em fazer uma surpresa para o cupido que era meu primo Emerson, o Memé ( o irmão do meu primo azarado ou se preferir o filho do meu tio da rifa do elefante) era um garoto de 6 anos e como todo garoto dessa idade estava perdendo os dentes, mas o Memé estava perdendo todos os dentes de uma vez só. Então a surpresa da peça era a frase que o Pedrinho diria ao Cupido, que no ensaio, em nenhum momento fora dito.
A peça estava transcorrendo tudo nos seus conformes, afinal éramos excelentes atores e diretores, até que chegou a tal hora em que Narizinho vê o Cupido e diz:- Nossa como ele é lindo!!! O Pedrinho com seu vozeirão, rapidamente emenda: -Lindo? mas que dentes podres horríveis!!! não preciso nem dizer que o lindo e angelical Cúpido perde a compostura e começa a disparar todos os tipos de palavrões no meio da peça!! Um show a parte!!
A peça foi um sucesso, não sei para o publico, mas para nós foi fantástica, pois todos nós os envolvidos, lembramos isso até hoje.

Essa montagem ficou muito tosca, tive que fazer tudo no serviço,
pois em casa estou sem micro por uns dias!