Em 1970 entrei no pré, isso, pré-primário, não faço ideia como se chama isso hoje.
Naquela época o mundo não era preto e branco como as pessoas vêem nas fotos, existia cor e as cores eram iguais as de agora, só que as maquinas fotográficas ou não tinham cor ou já saiam desbotadas.
Mas vamos a minha historinha.
Dona Lourdes me levou para a escola, primeiro dia de aula do David.
Fui colocado para dentro dos portões de um grande colégio de freiras, eu então na época estava com 5 anos e meio ( faria 6 no meio do ano), fui indagado por alguém, (não lembro ou nem sei quem, caray eu era pequeno pra caramba) pra que ano eu ia.
No meu raciocínio lógico de 5 anos disse 1º, ou qualquer coisa parecida com isso, pois eu estava aterrorizado com o fato de estar sozinho no meio de tanta gente estranha, afinal era a primeira vez que estava chegando na escola. Só sei que fui parar em uma classe onde haviam crianças muito mais velhas que eu (6 anos e meio) e fui ficando por lá, até que apareceu uma freira esbaforida procurando um aluno perdido do pré, claro que esse aluno era eu. Já estava feito meu primeiro mico, 1 hora de escola e eu já tinha ido parar em outra classe de um outro ano e tinha sido classificado como aluno desaparecido.
A irmã X me levou para minha classe, onde a minha professora Dona Sílvia me esperava ( que mané Tia Sílvia! naquela época a gente não tinha o habito e nem podia chamar a professora por outro nome que não fosse Dona ), fui colocado na primeira carteira encostada a porta. Todo mundo me olhava como um aliem e eu me sentia exatamente um aliem.
Chegou a hora do recreio, pelo menos naqueles primeiros dias, não podíamos sair da classe, ficávamos dentro da classe, a professora deu uma saída e eu o aliem, fui abrir minha lancheira e ploft! derrubei todo meu leite com achocolatado no chão! Meu botão de pânico ligou no modo máximo. Os outros alunos que também sofriam de pavor, acho que tínhamos medo de tudo, e olha que Dona Sílvia era uma moça de uns 18 anos e super fofa, mas na nossa cabeça ela podia tirar uma arma e matar nos. Ficaram na porta controlando a chegada da professora enquanto eu limpava o chão com minha bunda, isso mesmo, eu sentei no chão e comecei a limpar com minha bunda.
A professora chegou, claro que viu a poça de achocolatado mal limpa, bem na porta da sala, perguntou o que acontecera, todo mundo contou, mas ninguém contou com o intuito de me dedurar, mas sim com pânico de algo como: "não faça nada com ele, foi sem querer". Dona Sílvia, deve ter achado engraçado, eu limpar com a bunda, mas ficou na dela e pediu para que alguém da limpeza desse um jeito.
2horas e meia de aula e eu já tinha passado 2 fabulosos micos, eu seria um grande aluno na minha vida.
Mas não acabou.
Dona Sílvia deu um desenho mimeografado para colorirmos, lembro bem, pois, trauma a gente grava a ferro e fogo, era uma floresta que tinha um leão e um elefante. Falou para colorirmos e de novo saiu da sala ( pensando bem, Dona Sílvia gostava de passear fora da classe). Comecei a colorir meu desenho, acho que depois do que já passara, as meninas da minha classe resolveram prestar atenção no que o aliem fazia, ainda bem, porque este aliem que vos escreve, pra quem não sabe é
daltônico e na época não fazia ideia do que seria daltônico, mas resolveu pintar o leão do que supostamente seria a cor de leão, Verde, pintei meu leão de verde e meu elefante de de Rosa, as meninas que estavam de plantão, viram e entraram em pânico, pegaram meu desenho e trocaram por outro sem pintar, que a professora deixara na mesa. Eu comecei a pintar de novo, ai pintei o leão de laranja, nem deu tempo de terminar, que as meninas tiraram de minha mão e me deram o desenho pintado. (resumo da opera, meu trauma de daltônico foi tão grande, que minha família só viera a saber que eu era daltônico quando eu tinha 28 anos e resolvi sair do armário das cores daltônicas). A professora chegou, nada percebeu pegou os desenhos pintados e acho que ficou aliviada ao ver que o pequeno aliem não fizera nada estranho.
Minha mãe veio me buscar e não sei como já estava sabendo das minhas peripécias e claro que minha bunda suja de Nescau era visível por toda a escola.
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| 6 meses antes de virar um aliem escolar |
6 meses depois, na segunda reunião de pais, dona Sílvia vem para minha mãe e diz: -Dona Lourdes, os Russos e os Americanos gastaram tanto com corrida espacial para ver quem chegaria primeiro na lua, o David chegou na lua muito tempo antes que todo mundo, ele vive no mundo da lua!!!
Não era uma fofa a dona Sílvia?
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E todo mundo achando que foi Neil Armstrong!
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