segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Sem trem de aterrizagem, mas com muita jabuticaba


 'Ploquet Pluft Nhoque' (Jaboticaba)
[Ouça essa música, faz todo o sentido]

Em 1976 meus pais construíram a casa do sítio, então passamos a ir mais vezes, nessa mesma época, trocamos o caseiro e com essa troca, surgiu novos personagens, digamos, pitorescos no nosso cotidiano.
Um deles era um caseiro vizinho, chamado Adão, cujo qual, tenho quase certeza que, sua esposa chamava Eva, ou a gente chamava ela assim por não saber o nome da moça. Esse rapaz era praticamente um índio, sempre aparecia com umas iguarias estranhas para provarmos. Só cai na degustação na primeira vez, certo dia ele apareceu com um assado para provarmos e depois de todos terem comido ele nos disse que se tratava de um cachorro vinagre (este aqui). Nunca mais comi nada de origem animal que Adão trouxe, nem se Eva garantisse.
Um dia, Adão apareceu la no sitio e nos disse que tinha um sitio do outro lado da montanha que estava abarrotado de jabuticabas, eu e meu primo Roberto (vorazes tiranossauros) nem pensamos duas vezes, topamos ir. Adão mandou pegarmos uma saca vazia, isso mesmo uma saca, daquelas de milho pra ração animal, algo bem exagerado! Achamos isso o máximo, la fomos nós. 
Do outro lado da montanha significa: subir uma montanha SUBIR UMA MONTANHA, para 2 adolescentes gordinhos, nadadores, mas convenhamos, pouco dados a maratonistas, era um exercício do caramba, tinha que ter muita jabuticaba mesmo! Perguntei para o Adão qual é a distância, ele disse que era mais ou menos 10 kms, 5 de subida e 5 de descida. Eu olhei para o Roberto ja pensando em voltar mas ja tínhamos andado um bom pedaço e afinal ja feito boa parte da subida que era a pior parte. ( Idiotice da gente, pois na volta a descida vira subida e vice versa). Continuamos firmes e fortes e vermelhos. chegamos no topo da montanha, a visão é bonita, apesar das arvores não deixar ver muito alem nossa frente.
O besta aqui que vos escreve, ao ver a descida, resolve correr, pois depois de tanta subida, ver uma estrada de terra em descida, sai em disparada correndo. Só deu tempo para ouvir Adão gritar, cuidado, tropecei e voei, voei mesmo, pelo angulo que estava deu a impressão que estava voando, devo ter feito isso por uns bons 5 ou 6 metros, o problema foi minha aterrizagem, eu não tinha e ainda não tenho, trem de pouso, me esborrachei no chão de terra e pedras, esfolando cotovelos e joelhos e tudo mais que um avião sem rodas pode esfolar. O Roberto e o Adão riram só um pouco, mas prefiriram me acudir, afinal estávamos no meio do nada, somento com uma saca vazia para encher de jabuticabas e que nesse momento eu estava querendo que fosse muito mais muito, muito, muito mesmo para valer todo esse sacrifício. 
Finalmente chegamos ao tal sítio da jabuticaba sem fim, eu todo detonado arranhado, esfolado, rasgado, mas estava lá, cumprindo minha meta das jabuticabas.
O caseiro desse tal sitio nos recebeu na porta todo gentil, devia ser irmão do Adão (não dei nome por motivos de falta de fatos históricos pra isso), ele nos mostrou o caminho para as jabuticabas e la fomos nós nos embrenhando na mata fechada.
Logo encontrei um pele de cobra ( depois de Adão e Eva eu queria o que?) pelo tamanho da pele que a cobra descartou na troca fiquei imaginando o tamanho dela e tratei de sair de perto disso, foi quando o Adão me apontou em cima da árvore onde encontrei a dona da pele, descansando. Decididamente se fosse maça que me oferecessem eu não iria aceitar, estava muito éden pra minha cabeça!
Chegamos finalmente a tal arvore da vida, digo, de jabuticaba infinitas. Realmente, Adão tinha razão., eu nunca tinha visto uma jabuticabeira tão grande e tão carregada de jabuticabas gigantes.
O Roberto e o Adão subiram na arvore e me deixaram em baixo, pois com tantos ralados eu não conseguia subir. Eles pegavam as jabuticabas e eu em baixo selecionava, as grandes eu comia as menores eu colocava no saco. Agora mudou a cena, em vez do éden, estávamos no sitio do Pica-pau Amarelo Narizinho e Pedrinho na arvore e eu, Rabicó comendo as jabuticabas no chão!
Depois do saco cheio ( a saca, a pança e saco mesmo) resolvemos voltar. Depois de muitas horas chegamos no sitio todos cheios de orgulho com um saco cheio de jabuticaba. O Roberto queria mostrar pra mãe as jabuticabas gigantes que havia colhido, mas não soube explicar porque elas no pé pareciam maiores que ali no saco. Eu fiquei quieto fingindo dores, acima de qualquer suspeita!

Essa foto é de 74...
A foto da data esta com
minha mãe

Simulação do tombo feite pela alta tecnologia dos
computadores do "Era uma vez..."



11 comentários:

Lola disse...

hahahaha Adorei a simulação do tombo!
Jabuticaba é minha perdição! Quando morei em Montes Claros, no norte de MG, no quintal da minha casa, tinha uma jabuticabeira. Me lembro da época da floração: coisa mais linda! Mas o que metia medo era a quantidade de abelhas e vespas que as flores da danada atraía. Dava pra escutar o zumbido das benditas à distância! Mesmo assim, as jabuticabas que depois nasceram...hummm...de dar água na boca!

Bjs

Palavras Vagabundas disse...

O que não se faz por jabuticabas? Já andei também uns 10 km (acho) só para comer jabuticaba no pé...
bjs
Jussara

Cores da Crise de meia idade! disse...

Menino....
Cada aventura do seu passado é passagem garantida para os meus anos de infancia no Amazonas!
Já me ralei todo do mesmo jeito!!!!!

Marilia Marques disse...

Oi David, mais uma bela historia para ler e .... imaginar como será tudo isso....e sabe porque? Porque aqui neste meu País a que gosto de chamar de "Tugolandia", tem Jabuticaba não, meu bem! Nem sei como será o fruto por dentro, nem como poderá ser seu sabor, e ainda bem que colocou foto bem ilucidativa senão iria ficar bem no escuro.....ai que inveja de todas essas coisas maravilhosas que seu mundão tem, tão diferente do meu mundinho aqui. Fui no Brasil 2 vezes, na proxima vez que for (talvez numa proxima vida porque nesta esta bem ruim pra viajar novamente rsrsrs) a dita da jabuticaba não me escapa...

Um beijo bem grande de Portugal

Marília Marques

SANDRA disse...

AMIGO,

QUE POST MARAVILHOSO!
POIS guri....tu eras uma peste igual a mim...rs
Eu amava essas travessuras, embora morasse em cidade grande, aventura era comigo mesma!Vivia esfolada, ralada, suja e com algum tesouro magnífico nas mãos para mostrar para minha mãe!
Agora, conta prá nós.....que dor de barriga ehhhhh!!!!!!kkkk

Beijinhossssssss

Edu disse...

Sem trem de aterrissagem mas com airbag, pô. Nem foi tão ruim. Buticaba é bããão!!!

Dino Costa disse...

Quando era pequeno tinha um jaboticabal perto do cemitério. As jaboticabas eram imensas e deliciosas, provavelmente alimentadas por suco de defunto. Ummm

Saudades de Jabuticaba. Não lembro mais o gosto.

Lobo disse...

Gente, já tomei cada tombo desse naipe... mas os meus foram todos de bicicleta ou patins, coisa que bater num bueiro e arrastar tanto de até a camisa sumir :p

Anônimo disse...

info Nice;) Obrigado pelo seu tempo ...;)

Inaie disse...

tadinho do Roberto...tomara que ele naoe steja lendo esse post, senao vai te dar uma mao de pau.

bj

Lia Gloria disse...

Tu salvou meu dia! Ri tanto que chorei. Li pro meu filho, interropendo a história toda hora, me rasgando de rir!!! Muito boa!
Na hora da queda e o final então! Demais, bjs